domingo, 16 de janeiro de 2011

Todas as palavras: tênue reflexão acerca de uma poderosa arma da linguagem

Vamos refletir sobre o que são as palavras.

Sabe-se que a palavra é o núcleo da comunicação linguística verbal, sem a palavra não há enunciado, nem muito menos discurso (porém há discursos sem palavras). Diga-se de vista que a palavra é o centro, é o meio por onde a interação verbal se estabelece. Sem a palavra podemos dizer ainda muitas coisas, daí temos em vista o texto não verbal e as mensagens subentendidas, etc; mas mesmo assim o gênero humano a declarou como o meio mais eficaz e próximo para a comunicação.
Há palavras ingênuas, palavras sem sentido (dependendo do contexto), palavras fortes e até mesmo de baixo calão... mas todas são palavras e dignas de respeito. Esse instrumento é tão difundido e tão próximo de nós que eu não vejo a comunicação estabelecida sem ela. Se formos pensar de modo violento vemos palavras que declaram guerras, que destroem vidas, que detonam misérias e fome; mas também vemos o contrário, palavras que levam pessoas para fora da depressão, palavras que curam e libertam, e de uma forma religiosa, que elevam o ser humano ao transcendente.
Vemos assim, a palavra como um instrumento de guerra e paz. E se a vemos como isso, imaginemos os compêndios que carregam as palavras, isto é, os romances, os dicionários, as cartas, os blogs, etc. quando esses suportes de palavras não carregam esses duplos valores e outros incontáveis? Romances que moldam amores e tragédias, cartas que declaram afeto e repúdio, blogs de síntese e antítese... afinal de contas, a palavra não tem domínio específico. É como uma faca, para o corte da carne a fim de matar a fome ou para dar cabo à vida de outrem.
Olhando de forma analítica, não podemos separá-la do uso, a palavra só assume o seu valor através dele. E é por isso que vemos línguas tidas como vivas e mortas. Se a palavra é vivida, é cantada, é lembrada e reformulada ela vive, mas se é esquecida em suas amplas formas ela vira um defunto. Se há uma coisa que efetiva o uso da palavra, é a comunidade que a usa, mesmo sendo um instrumento universal, cada comunidade de falantes a molda conforme sua cultura.
Além dessas reflexões o que me deixa mais contemplativo diante da palavra é o fato das ciências que as estuda, pois o que seria da linguística, da oratória e da gramática sem a palavra? já que essas ciências anteveem o uso e suas formas de expressão. Quantos teóricos já se debruçaram sobre seu estudo, a fim de tornar científico o uso da palavra em suas vastas formas de organização. Acolá de teóricos, vemos também os escritores. Eles que são íntimos desse recurso, que através desse instrumento realiza obras de arte, histórias de mundos extras e até mesmo a reflexão do mundo sincrônico.
Mas sempre a palavra... desde a conversa informal, do bilhete alheio, do recado do Orkut até os poemas e as teses. Lá está a palavra envolta no discurso que a rege, dento do seu ambiente onde está inserida, transmitindo o sentimento ou ideia de alguém. Mas sempre presente cumprindo seu papel de código para a comunicação humana.

2 comentários:

  1. Gostei!!! Mas vc sabe que mesmo entendendo de todas estas palavras e assuntos eu gosto mais da sua fase popular...

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  2. Obrigado amigo... popularidade? ah... isso depende muito de onde eu estou inserido.

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Que o teu sim seja sim; e o teu não seja não. (Mt 5,35)