segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Sobre sexualidade

Um tema bastante velho, mas sempre volta com o vigor que ele próprio transmite. Afinal, um ser humano, dotado de emoção e sentimento, não pode deixar de fora das suas divagações, o tema da sexualidade, pois o SER é completamente sexual. Na maioria das vezes, tudo se define a partir do sexo da coisa. E eu, como exímio exemplo desta espécie, cheia de desejo sexual, tentarei traçar o que venho percebendo sobre a sexualidade hodiernamente. Pois, assim como a identidade do ser humano, a sexualidade, vem se moldando com o passar das gerações. E isso é fruto das escolhas e processos humanos que regulamentam o caráter desses viventes num planeta chamado Terra.
Nunca li a História da Sexualidade de Michel Foucault, tenho pretensão de lê-la, pois pelo que vi em alguns sites é um dos principais ensaios filosóficos acerca do tema. Com certeza, quem já a leu, deve ter mais propriedade a tratar do assunto. Mas, não citando aqui o cânone sobre, resta comentarmos nossas impressões particulares, frutos de nossos empirismos, que por algum momento serviu para que uma mente iluminada tomasse como exemplo na formação de uma ideia. Já ouvi em algum lugar que, quem tem opinião não tem razão, e a ciência é a fonte mais segura de se encontrar essa razão, portanto, todos nós para estarmos seguros do que falamos devemos-nos portar de saber científico. De fato, a ciência tem muito a dizer, mas como ela é uma criação humana, por consequência ela é falível. Assim também como esta observação sobre, como se diz voluptuosamente em francês, sexualité. Portanto, vamos elencando o propício, e depois vemos as falhas…
Sexualidade é um termo muito amplo, e a princípio, não nocivo. Afinal, todo contato que a criança possui com a mãe, desde sua concepção, está ligado à relação entre corpos, que de forma mais restrita, refere-se ao sexo. Ou seja, o olhar, o cheiro, a sensação de segurança é fruto de algo menor, mas, no entanto, basal. A sexualidade é, assim como a bondade, a fraternidade, etc., algo que une pessoas, havendo sempre a comunicação, entre estas, em volta de um conceito. O sexo é o fruto dessa comunicação, algo menor, mas de bastante força, pois é dele que advém a vida. A religião cristã vê o sexo, dentro dos parâmetros conjugais, um trampolim para se chegar a Deus. Pois, se a criação é vida, e o sexo favorecendo esta, temos algo de caráter divino. Além de ser uma das melhores terapias existentes, de grande relaxamento após o ato. É o momento em que duas almas se completam, dois seres se sujeitam, se igualam. Enfim, é um elemento essencial para o bem viver. Todavia, atualmente, este elemento tem usurpando a vitalidade que antes possuía. E tem feito mais malefícios, do que benefício se for considerar a amplitude que ele tem tomado.
Em termos de comportamento humano, tudo é um processo. Não podemos fazer julgamentos de casos isolados sem antes tomar um olhar contextual. A ação de hoje é fruto de uma história, de um valor que está imbuído na própria ação, e que advém de um longo período de acontecimentos viabilizadores da ação que vemos hoje. E sobre isso, é bem verdade a afirmação que um pensador disse “entre o céu e a terra, nada é novo”. Nada é novo, mas a cada dia, vemos novas nuanças das coisas existentes. Sexo é a coisa mais antiga do mundo! e, no entanto, ele nunca foi o mesmo em todas as épocas. Houve um tempo que a prática sexual era tida exclusivamente com fins procriativos. Neste tempo a posição sexual conhecida hoje como papai-mamãe, possuía outro nome, era a posição missionária. Ou seja, o ato procriativo era uma missão, algo santificador para quem seguia este preceito. Houve um tempo também, que o contato visual entre homem e mulher era proibido. A mulher não podia ver os órgãos genitais do marido, portanto, a cópula era realizada de costas. Aconteceu também de muitas mulheres terem seus clitóris mutilados, pois se pregava que o orgasmo era satânico. Da mesma forma que muitos homens tiveram seu escroto mutilado, ou por ter realizado perversão sexual ou por prática de pureza. Mesmo sendo um ato bom, o ser humano já o considerou um malefício.
Com a revolução dos costumes, durante o século XX, o sexo vem ganhando um novo valor. A combinação sexo e drogas é um boom para emoção dos jovens das décadas de 60. Aliado a este novo estilo de ver o sexo está a mídia, grande propagadora das ideias de massa. Ela é a responsável pelo que eu chamo de sensualização do pensamento, um tipo de ideologia imbricada em cada passo dado pelos veículos de comunicação. É através dessa ideologia que as crianças estão começando mais cedo à vida sexual, no que diz respeito às práticas subsequentes e anteriores ao próprio ato. Meninas e meninos têm aproveitado de forma efêmera o espaço da infância. De fato, reconheço que o ser humano, passa por um processo para que o seu libido esteja concentrado para a procriação, mas atualmente nossas crianças têm chegado à fase genital, segundo Freud, com menos idade. Nossos pré-adolescentes têm procurado muito conhecimento acerca das práticas sexuais e os adjacentes dessa. A infância deslumbrada pela inocência tem dado lugar à efervescência fálica promovida pela mídia. Notem que o culto ao corpo, a pregação de liberdade sexual a todo custo, têm sido amplamente divulgados em comerciais, novelas, noticiários, programas de humor, etc. Nunca se vendeu tanto sexo, como nesses tempos. Em territórios acadêmicos sempre se prega um niilismo absoluto, como se tudo fosse mentira. Essa ideia é tão obsoleta e irracional que todo dia se prega a verdade nas revistas de boa forma, nos programas de entrevista, etc. Não tem como correr, não existe lugar para se esconder. Você vai cair de qualquer maneira no abismo do sexo, porque ele está em tudo. Mas não é o sexo da posição missionária, é o sexo capitalista, que obriga a você está na moda, pois não vai arrumar namorado; que obriga a você sair do armário, para ser uma Queen cheia de glamour, sendo, na maioria das vezes, uma grande mentira. Na verdade, o ser humano não anda neste ritmo que a mídia impõe. A prova disso são as lotadas clínicas psiquiátricas, repletas de corações amargurados, feridos por não se sentirem completos. Mas é assim mesmo, quanto mais incompleto, mais se vende. É verdade, como já disse Paulo Freire, o ser humano é incompleto, no entanto, essa incompletude deve o impulsionar à mudança. Já a incompletude, efeito colateral da mídia, não possui fator regenerativo.
Já ouvi alguém bastante lúcido afirmar que cada época possui uma identidade, e as gerações posteriores à época passada tentará superar a identidade por ela pregada. Depois de muita repressão, vêm os tempos de libertação, mas depois e volta a ser contido. Acredito que estamos sofrendo uma renovação de valores, que diferente de épocas passadas, terá um processo lento de consolidação. Temos que aceitar, estamos doentes por sexo. O sexo exagero, sem amor, nos tem colocado para baixo como espécie. A busca por emoção tem custado muito caro para nossos jovens, e consequentemente quem paga é toda civilização. Essa doença tão voraz tem imposto a iniciação sexual de uma maneira tão vil que os jovens atualmente têm uma grande dificuldade na definição sexual. Com mais frequência vemos relações de dupla orientação. Sei que o ser humano possui certa inclinação para a clivagem de valores, mas isso está acontecendo rápido de mais, em frações de segundos. Sou muito humanista, e muito flexivo, mas temos que ter uma posição fixa em certas ocasiões. E sobre sexo a minha está bem definida aqui, o sexo deve ser algo natural. A artificialidade dele está fazendo com que nós tornemos plásticos, nem sempre biodegradáveis, nem sempre prontos para uma reciclagem. 

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Que o teu sim seja sim; e o teu não seja não. (Mt 5,35)