segunda-feira, 23 de setembro de 2013

À luz de um dia


Esta manhã, refratário de nossas almas, contempla a vivacidade que existe entre o repouso e a luta. Muitos acordaram hoje para ruminar o brilho das fugacidades em cada passo cheio de bolor rotineiro. Muitos acordaram hoje para teogonizar sua incertezas, cheias de ilusão e falsas conquistas. Muitos acordaram hoje para protelar o substantivo de suas vivências, ora para dar vasão à preguiça, ora para sustentar sua cobiça. Muitos acordaram hoje para reviver na fé, pulando em cada instância para não terminar sem ouvir a voz da ciência divina. Quantas pessoas não acordaram também? Procuram o asilo terno de sua cama para nunca mais voltar. Procuraram a luz que de tão forte nos faz cegar. Agora, poucos, e disso tenho certeza, acordaram para fazer poesia. Nem que fosse para cantar a musa antiga, velha madona dos nossos cantares. Poesia é café amargo e sôfrego. Tomai teu café e vive tua canção. Toma coragem na luta, e vive tua poesia. Porque ao alvorecer na nova manhã não terás mais a mesma rima.

Olavo Barreto.

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Que o teu sim seja sim; e o teu não seja não. (Mt 5,35)