terça-feira, 5 de novembro de 2013

Mesa


Tudo que ela não queria era ser uma mesa:
a integração dos gestos solitários,
o acompanhamento semi-fúnebre das horas sapienciais,
as sóbrias ligações entre-mãos,
a cumplicidade da finalização do prato.

Não quis ser mesa
com a mesma certeza que não se vai ao convés contemplar o infinito...
quando não se tem a dupla-chama.

Não quis congregar cadeira.
Não quis escorar a porta.
Não quis segurar a horta.
Não quis ser habitada.

Entre o silêncio de um não, uma mesa sozinha falava:
— triste é saber da causa do meu nunca-amada.






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Que o teu sim seja sim; e o teu não seja não. (Mt 5,35)