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sábado, 20 de outubro de 2012

Sobre a experiência do Livro


Embora o título do texto fale sobre a experiência do livro, aqui vou falar da minha experiência pessoal de possuir livros. A razão do título estar assim se refere ao majestoso ato do Livro. Este ato é um compósito de emoções que trazem à tona tudo que se refere, emocionalmente, à leitura, que nesta reflexão começa pela aquisição desta peça esplendorosa do conhecimento chamada livro.
Como quase toda reflexão pessoal possui narrativa, esta não seria diferente. É bem verdade a que a voz deste sujeito está cheia de saudosismo e elevação. Sendo épico, mas com um tom menos elevando quando fala de suas experiências leitoras. Pois aí vem a nossa história:
Já faz muito tempo, mas na memória este acontecimento é como se tivesse acontecido hoje pela manhã. A memória, por mais falha que seja em alguns momentos, é sempre eficiente quando algo nos marca profundamente. E este acontecimento, sem sombra de dúvidas, foi imprescindível para que eu possa ser o que sou hoje, ter o que tenho e pensar o que penso. Depois que nós começamos a refletir sobre nossas experiências, percebemos que cada momento da vida é de importância extrema para a nossa constituição como sujeito. Todo aquele discurso sobre a valorização das coisas pequenas é verdade. São os elementos de base que sustentam o grande homem. Peças pequenas, de passível vivência, de plena insignificância momentânea, mas com força destruidora, se for o caso. No nosso caso, a força daquele momento é construtiva, positiva, no entanto, simples. Deveria eu ter meus 09 anos e viajara ao Recife para visitar os familiares. Lembro bem da casa. Era branca, situada em uma avenida muito movimentada. Possuía um grande quintal, três quartos e tudo mais que faz parte da mais comum casa. Mas o segundo quarto guardava um grande tesouro, algo que para mim era inacessível. Entrar naquele quarto era para mim um momento de satisfação. E eu entrava, mas saia do lugar incomodado por não possuir aquilo, naquela complexidade, que para uma criança era muito complexo, no entanto, muito chamativo para mim, mesmo sem muito entender do mundo e das coisas. Era o quarto do Téo. E o que havia nele? Sua biblioteca. Simples. Foram aqueles livros e o olhar de um apaixonado pela leitura que me fizeram despertar. Não me lembro do que dizia, mas lembro de alguns livros de capa dura vermelha, algo parecido com uma Barsa. Não me lembro de ter aberto aqueles livros, mas eles tinham chamado minha atenção. E aí surgiu o vil sentimento: eu precisava de uma biblioteca. Para quê, naquele momento, eu não sabia bem o porquê, todavia, deveria de ter uma biblioteca num futuro bem próximo.
Sempre fui devoto da leitura. Minha mais remota experiência com esse mundo, do que eu tenho lembrança, é de que logo após fui alfabetizado lia tudo que me aparecesse. As viagens para a capital era uma grande festa. Ler aqueles outdoors e depois ser aplaudido por isso sempre foi rotina após os primeiros anos de alfabetizado. Esse também foi o primeiro incentivo que meus pais me deram para hoje me tornar um leitor. E nesse sentido, o incentivo é arma mais poderosa na formação de leitores. Felizmente ou infelizmente — tudo depende da finalidade — o ser humano é vaidoso. Ele precisa de reconhecimento para continuar. Apenas as almas mais sensatas não querem o reconhecimento imediato e instantâneo. Mas como estou em processo evolutivo, como diriam meus amigos espíritas, sou um humano normal dotado de cobiça. E a cobiça do conhecer mundos através da leitura sempre foi uma ótima motivação para se seguir em frente em busca do Mais.
Algo significativo nesta minha formação foi o contato com as bibliotecas desde cedo. A primeira biblioteca que frequentei foi, na verdade era apenas uma estante, a da secretaria municipal de educação, daqui da minha cidade. Uma senhora chamada Ceci, funcionária do local, anotava na sua agenda os livros que eu tomava emprestado. E aí, nessa época, tive um grande mergulho no mundo do Monteiro Lobato, Câmara Cascudo, Ana Maria Machado, e tantos outros...
A minha segunda biblioteca foi a do sindicato rural. Ali tive belas experiências. Foi lá que, pela primeira vez, conheci, e pude apalpar, uma enciclopédia. Aquilo era o maior tesouro que uma criança poderia conhecer. Como eu não podia comprar uma, ficava tirando cópias de algumas páginas para um certo futuro ter a minha própria enciclopédia. Cada imagem, cada termo, era como se o mundo estivesse se desnudado. E eu, mesmo sem muito suporte, estava compreendendo a complexidade dele. Assiduamente, toda semana, era um livro novo. As vezes até dois. O cheiro de local fechado ainda ecoa na minha imaginação, como se o primeiro momento de visita àquele local ocorresse agora.
Sempre fui, também, atrevido, queria ler coisa de gente grande. Me lembro que com uns dez anos de idade, me deparei lendo os sermões de Padre Antônio Vieira. Vou confessar uma coisa: peguei aquele livro só para ver a reação das professoras. Todo mundo ficou impressionado com aquilo. Como um menino que ainda estava no ensino fundamental se dava ao luxo de ler Vieira? Polêmicas à parte, li apenas um dos sermões contido no livro. Não me lembro bem qual era o tema dele, mas com exatidão, me lembro das expressões em latim. Eu, pobre mortal, estava perplexo por não saber o significado daquilo. Embora isso fosse já em pleno século XXI, na minha cidade não existia internet, nem muito menos um dicionário de latim. Mas valeu a experiência.
Minha terceira biblioteca foi a da própria escola. Infelizmente, de surgimento tardio, mas de importante significação. O PNBE, Programa Nacional Biblioteca da Escola, tinha enviado muitos livros à nossa escola. Daí surgiu a necessidade de desapropriar um espaço usado para depósito dando abrigo aos novos livros. Eu, como um dos amantes mais piegas deles, me ofereci como voluntário para a organização e catalogação do acervo. Foi nesse tempo que li Vidas Secas, Dom Casmurro, Iracema, e tantos outros. Foi um período de devoção aos clássicos nacionais.
No Ensino Médio, a frequência às bibliotecas se reduziram. Mas a leitura não. Neste período comecei a tomar gosto pela literatura popular. Li e comprei muito cordel. Chegou um determinado tempo que eu não consegui ler outra coisa. De tanto ler cordel fiquei com a cognição apurada pela estrutura do verso, ao ponto de quando lia uma narrativa achava estranho, pois não era o mesmo ritmo.
Neste meu relato muitas coisas ficaram de fora. Existiram momentos e momentos importantes na minha formação inicial da leitura. Por que não citar as aulas do Telecurso 2000? Foi lá que tive muitos direcionamentos de leitura. A escola não tem uma parte muito significativa na minha formação. A leitura para a sala de aula sempre foi muito enfadonha, cheia de porquês, às vezes sem nenhum sentido para mim. Era um saco ter de ler aquele livro. Mas quando a iniciativa era nossa, tive bastante êxito.

Minha caminhada continuou e ainda continua. O universo dos livros ainda é o meu fraco. Não posso ainda dizer que tenho uma biblioteca, mas sim, posso afirmar que ela está em construção, assim como, eu ainda, sempre vou estar em processo. Pois os livros nos abrem feridas que são curadas por outros livros que abrem novas feridas. Um círculo vicioso, um eterno processo. Um dia em que o livro nos deixar de chagar é porque o livro não está mais cumprindo sua missão ou nós não estamos cumprindo nossa missão de leitor, ou seja, a de se deixar marcar. Uma boa leitura sempre deixa marcas. As que não deixaram simplesmente foram ou perca de tempo ou simples reconhecimento de letras vazias.



Olavo Barreto.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sobre a série "Sobre Livros"



Há algum tempo venho pesquisando na internet blogs sobre leitura e descobri vários. Dentre os achados na minha pesquisa, evidencio o da blogueira — mas ela não se considera como tal — Juliana com seu O Batom de Clarice (http://www.obatomdeclarice.com/). Além de postar alguns textos apreciativos sobre livros no seu blog, ela também posta periodicamente vídeos, sobre o mesmo assunto, em um canal no YouTube (http://www.youtube.com/user/juligervason?feature=mhee). Os vídeos dela são muito bons, já estou fissurado em acompanhar o “trabalho” dela neste blog. Está super-recomendado clicar nos links aqui disponibilizados, pois se você gosta de leitura encontrou uma grande parceira neste gosto. E uma parceira de qualidade, pois a nossa menina das letras é simplesmente Doutora em Letras, com tese defendida, nada menos, sobre Clarice Lispector. Por tanto, é altamente sugestivo que você a acompanhe.
Outra blogueira muito sugestiva é a Tati, como carinhosamente Juliana a chama, aquela é a dona do blog TINY little ThInGs (http://frappuccinomochabranco.blogspot.com.br/). Além de livros, nossa amiga traz indicações de filmes e outros mais. Seu canal no YouTube é este: http://www.youtube.com/user/tatianagfeltrin?feature=plcp. É passagem obrigatória também. Super-recomendado.
E eu, pobre mortal, me achei no direito de, assim como minhas ídolas, fazer vídeos sobre minhas experiências leitoras. Daí surgiu à ideia de fazer a série de comentários Sobre Livros. Não prometo uma periodicidade na composição dos vídeos, mas na medida do possível eles vão aos poucos aparecendo. No memento em que escrevo esta postagem o vídeo está carregando. Surpreendi-me com os 18min de falatório, mas acho que ficou bom. Está em linguagem bem informal, mas não perdendo o foco que era a apresentação dos livros. Quero me desculpar de antemão, pelo meu forte sotaque paraibano. Se alguém se sentir incomodado com o meu sotaque, não posso fazer nada, já fui fabricado assim, estou feliz com isso. Do mais, resta saber se vocês se interessaram pelos meus comentários. Espero vê-los, tanto aqui no blog como no canal do YouTube onde o vídeo está lotado.
O primeiro vídeo da série pauta-se nos comentários sobre Boca do Inferno de Ana Miranda, O mundo de Sofia de Jostein Gaarder, Poesia lírica e indianista de Gonçalves Dias e Os melhores poemas de Olavo Bilac uma seleção de Marisa Lajolo. São comentários simples, fruto das minhas experiências com esses livros. Além destes, falo do quem venho lendo neste mês de setembro de 2012. São eles: “Amor Líquido” – Zigmunt Bauman, “O ser e o tempo da poesia” – Alfredo Bosi e “Abc da literatura” – Ezra Pound.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Poema publicado em antologia nacional



Concurso Nacional Novos Poetas 2012prêmio Sarau Brasil é um concurso que tem por objetivo demonstrar como está a literatura brasileira hoje, apontando principalmente, que ela está viva e continua a todo vapor celebrando a vida e a poesia nos mais diversos estilos de poetas e poemas. Como o concurso é de âmbito nacional, foram selecionados autores de todo país. Uma seleção acirrada, pois entre os mais de 2000 (dois mil) inscritos, apenas 250 (duzentos e cinquenta) autores foram escolhidos para fazerem parte da antologia que registra os melhores poemas selecionados neste concurso.
A divulgação do concurso se deu nas mais diversas mídias. Teve-se apoio principal da TV Cultura e TV Brasil, além das parcerias com as universidades federais de Pernambuco e do Rio de Janeiro, bem como da Empresa Brasil de Comunicação. O concurso, para sua efetivação, foi promovido através de edital público, e a antologia sai publicada pela editora Vivera, com sede em Cabedelo/PB.
Tive conhecimento do concurso na universidade, faço curso de graduação em Letras Português na Universidade Federal de Campina Grande. Então, tomei a iniciativa de enviar um dos meus poemas mais lidos na página que tenho no site Recanto das Letras. O poema selecionado pelo concurso é chamado “Versos da Verdade”, poema que grita a fim de saber onde está a verdade inibida pelos controles da sociedade. O mesmo poema encontra-se na página 218 da antologia, e eu o considero um grande marco em minha produção de escrita, porque foi a primeira vez que tive algo publicado dos meus textos de criação.

Matéria publicada anteriormente em <http://gurinhem.com/noticia?id=1144> no dia 28.06.2012

domingo, 20 de maio de 2012

Minha experiência pessoal com o teatro


Você já foi ao teatro? Essa é uma pergunta muito difícil de responder. Afinal, o que é mesmo teatro? Passei alguns anos da minha vida sem saber o que é, realmente, o significado essencial deste termo. Sempre no colégio, na igreja... vi filetes de teatro, como sempre, nada de profissional. Já até protagonizei alguns personagens... já participei até de pantomimas... mas nada vai se igualar ao dia que fui assistir a peça “Anáguas”.
Cândida, Maria das Graças e Maria Exaurina (per-
sonagens da peça "Anáguas")
Era uma quinta feira, cheguei ao local com bastante entusiasmo. Afinal, iria pela primeira vez assistir uma peça realmente ostentosa. Cenário escuro, candeeiros acesos... cheiro de alfazema com Capim-santo, sentei no meio do cenário. A peça transcorria entre nós, espectadores, que ao paço do embalo musical do verso “Abraça eu mamãe, embala eu mamãe... tem dó de mim...” entoado pelas atrizes, éramos hipnotizados com aquele ambiente. Eu, no meu ato contemplativo daquela cena, fui transmutado a algum tipo de mundo interior, para uma nova consciência que volta e meia me trazia lembranças inconscientes, como se naquele momento, eu mesmo, fazia parte da peça.
Aqueles nomes, aqueles gestos... me incomodavam. Maria Exaurina, Cândida, a velha Maria das Graças. Como aqueles personagens me incomodavam. Cada palavra soava como uma espada transpassando meu intelecto. A velha que tossia, as poses debochadas de Cândida, as palavras de auto calão de Maria Exaurina. Os cânticos, os gestos. Toda a cinese da peça me transpassou. Não tive tempo de pensar outra coisa, eu tinha sido arrebatado pela arte da teatralidade sublime do momento.
A peça conclui, mas tudo aquilo que foi vivenciado naquele dia sempre volta. O embalar das canções, as expressivas palavras das atrizes, os gestos. E sem dúvida, naquele dia eu soube o que realmente era um teatro. 


A peça "Anáguas" foi por mim assistida no Espaço Nordeste Gurinhém/PB em maio de 2012.