sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Sobre a série "Sobre Livros"
Há
algum tempo venho pesquisando na internet blogs sobre leitura e descobri
vários. Dentre os achados na minha pesquisa, evidencio o da blogueira — mas ela
não se considera como tal — Juliana com seu O
Batom de Clarice (http://www.obatomdeclarice.com/).
Além de postar alguns textos apreciativos sobre livros no seu blog, ela também
posta periodicamente vídeos, sobre o mesmo assunto, em um canal no YouTube (http://www.youtube.com/user/juligervason?feature=mhee).
Os vídeos dela são muito bons, já estou fissurado em acompanhar o “trabalho”
dela neste blog. Está super-recomendado clicar nos links aqui disponibilizados,
pois se você gosta de leitura encontrou uma grande parceira neste gosto. E uma parceira
de qualidade, pois a nossa menina das letras é simplesmente Doutora em Letras,
com tese defendida, nada menos, sobre Clarice Lispector. Por tanto, é altamente
sugestivo que você a acompanhe.
Outra
blogueira muito sugestiva é a Tati, como carinhosamente Juliana a chama, aquela
é a dona do blog TINY little ThInGs (http://frappuccinomochabranco.blogspot.com.br/).
Além de livros, nossa amiga traz indicações de filmes e outros mais. Seu canal
no YouTube é este: http://www.youtube.com/user/tatianagfeltrin?feature=plcp.
É passagem obrigatória também. Super-recomendado.
E
eu, pobre mortal, me achei no direito de, assim como minhas ídolas, fazer
vídeos sobre minhas experiências leitoras. Daí surgiu à ideia de fazer a série
de comentários Sobre Livros. Não
prometo uma periodicidade na composição dos vídeos, mas na medida do possível
eles vão aos poucos aparecendo. No memento em que escrevo esta postagem o vídeo
está carregando. Surpreendi-me com os 18min de falatório, mas acho que ficou
bom. Está em linguagem bem informal, mas não perdendo o foco que era a apresentação
dos livros. Quero me desculpar de antemão, pelo meu forte sotaque paraibano. Se
alguém se sentir incomodado com o meu sotaque, não posso fazer nada, já fui
fabricado assim, estou feliz com isso. Do mais, resta saber se vocês se
interessaram pelos meus comentários. Espero vê-los, tanto aqui no blog como no
canal do YouTube onde o vídeo está lotado.
O
primeiro vídeo da série pauta-se nos comentários sobre Boca do Inferno de Ana Miranda, O
mundo de Sofia de Jostein Gaarder, Poesia
lírica e indianista de Gonçalves Dias e Os
melhores poemas de Olavo Bilac uma seleção de Marisa Lajolo. São
comentários simples, fruto das minhas experiências com esses livros. Além
destes, falo do quem venho lendo neste mês de setembro de 2012. São eles: “Amor Líquido” – Zigmunt Bauman, “O ser e o tempo da poesia” – Alfredo Bosi
e “Abc da literatura” – Ezra Pound.
domingo, 9 de setembro de 2012
Depois de ouvi-la pela última vez
Dedo a dedo, nós fomos nos afastando nesta fria madrugada.
Nossos corpos, tão esplêndidos... não possuem a clareza das
nossas antigas manhãs.
Nossas tardes, mutáveis... passam de segundo em segundo
procurando os caminhos convexos da indiferença.
Ganhamos ignorâncias que apartam nosso coração com um
mortífero fel.
O silêncio se tornou a música desesperada de uma respiração de
ofegante inconformismo.
Sem direção, eu tomei o caminho do sul, e você tomou norte.
Novas vibrações...
As músicas fúnebres são o acalanto daquilo que era doce e
terno.
O inverno é a estação da minha nova qualidade, viver e
sonhar depressão.
Triste verbo que tenta presumir e acaba desfeito, do pretérito
subjuntivo imperfeito.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
As Marcas
Ninguém passa nas nossas vidas sem deixar sua marca. Todos nós somos marcados pela personalidade de alguém, seja de forma direta, pelo contato diário, pelas conversas corriqueiras, os bons dias apressados, os desentendimentos e as pequenas confraternizações; ou pelo contato indireto, a influência de alguém da mídia, ideólogos, pessoas distantes à nossa realidade material...
Seja
de uma forma ou de outra, essas pessoas cumprem o papel de atuar no teatro da vida,
deixando em nós sua impressão digital. É interessante observar que isso é
cíclico. Nós também estamos deixando nossas marcas na vida de outrem. Esse
aspecto da vida em sociedade é sublime, pois nos formamos como seres humanos
dotados de qualidade, não de forma separada, mas em construção
comunitária. Eu me construo, e comigo, construo o mundo matizando as cores que
permeiam nossa realidade.
A
chegada do fim do ano é a maior festa de nossas culturas, seja ela ocidental ou
não. O “réveillon” é um ato celebrativo onde mais um ciclo se completa, o nosso
trabalho de marcar vidas completa mais uma etapa. Para uns, será a conclusão de
um trabalho que durou a vida inteira, e para outros mais, será o começo de um
trabalho cansativo, duradouro e gratificante. Nessa nossa labuta, marcamos uns
com mais intensidade e outros com menos, e assim, sofremos pelas duas vias, mas
esse sofrer nem sempre é ruim, nós é que não nos acostumamos com a face branda
do sofrimento deixando perpassar a sua face negra.
Seja
como for, devemos apenas viver e deixar nossas marcas por aqui, pois quem
não está fazendo isso, simplesmente não vive, porque manchar o quadro da
existência com os nossos dedos para misturar as cores do cotidiano é a coisa mais produtiva
que podemos fazer nesse estágio evolutivo para a outra margem, por nós não
conhecida. E até lá: mais um ano novo, mais um “réveillon”, mas uma etapa
concluída, porém, não conclusa.
Texto produzido na véspera do final de 2011.
Texto produzido na véspera do final de 2011.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Sobre sexualidade
Um
tema bastante velho, mas sempre volta com o vigor que ele próprio transmite.
Afinal, um ser humano, dotado de emoção e sentimento, não pode deixar de fora
das suas divagações, o tema da sexualidade,
pois o SER é completamente sexual. Na maioria das vezes, tudo se define a
partir do sexo da coisa. E eu, como
exímio exemplo desta espécie, cheia de desejo sexual, tentarei traçar o que
venho percebendo sobre a sexualidade hodiernamente. Pois, assim como a identidade do ser humano, a sexualidade,
vem se moldando com o passar das gerações. E isso é fruto das escolhas e
processos humanos que regulamentam o caráter desses viventes num planeta
chamado Terra.
Nunca
li a História da Sexualidade de
Michel Foucault, tenho pretensão de lê-la, pois pelo que vi em alguns sites é
um dos principais ensaios filosóficos acerca do tema. Com certeza, quem já a
leu, deve ter mais propriedade a tratar do assunto. Mas, não citando aqui o
cânone sobre, resta comentarmos nossas impressões particulares, frutos de
nossos empirismos, que por algum momento serviu para que uma mente iluminada
tomasse como exemplo na formação de uma ideia. Já ouvi em algum lugar que, quem
tem opinião não tem razão, e a ciência é a fonte mais segura de se encontrar
essa razão, portanto, todos nós para estarmos seguros do que falamos
devemos-nos portar de saber científico. De fato, a ciência tem muito a dizer,
mas como ela é uma criação humana, por consequência ela é falível. Assim também
como esta observação sobre, como se diz voluptuosamente em francês, sexualité. Portanto, vamos elencando o
propício, e depois vemos as falhas…
Sexualidade
é um termo muito amplo, e a princípio, não nocivo. Afinal, todo contato que a
criança possui com a mãe, desde sua concepção, está ligado à relação entre
corpos, que de forma mais restrita, refere-se ao sexo. Ou seja, o olhar, o
cheiro, a sensação de segurança é fruto de algo menor, mas, no entanto, basal.
A sexualidade é, assim como a bondade, a fraternidade, etc., algo que une
pessoas, havendo sempre a comunicação, entre estas, em volta de um conceito. O
sexo é o fruto dessa comunicação, algo menor, mas de bastante força, pois é
dele que advém a vida. A religião cristã vê o sexo, dentro dos parâmetros conjugais,
um trampolim para se chegar a Deus. Pois, se a criação é vida, e o sexo
favorecendo esta, temos algo de caráter divino. Além de ser uma das melhores
terapias existentes, de grande relaxamento após o ato. É o momento em que duas
almas se completam, dois seres se sujeitam, se igualam. Enfim, é um elemento
essencial para o bem viver. Todavia, atualmente, este elemento tem usurpando a
vitalidade que antes possuía. E tem feito mais malefícios, do que benefício se
for considerar a amplitude que ele tem tomado.
Em
termos de comportamento humano, tudo é um processo. Não podemos fazer
julgamentos de casos isolados sem antes tomar um olhar contextual. A ação de
hoje é fruto de uma história, de um valor que está imbuído na própria ação, e
que advém de um longo período de acontecimentos viabilizadores da ação que
vemos hoje. E sobre isso, é bem verdade a afirmação que um pensador disse “entre o céu e a terra, nada é novo”.
Nada é novo, mas a cada dia, vemos novas nuanças das coisas existentes. Sexo é
a coisa mais antiga do mundo! e, no entanto, ele nunca foi o mesmo em todas as
épocas. Houve um tempo que a prática sexual era tida exclusivamente com fins procriativos.
Neste tempo a posição sexual conhecida hoje como papai-mamãe, possuía outro nome, era a posição missionária. Ou seja, o ato procriativo era uma missão,
algo santificador para quem seguia este preceito. Houve um tempo também, que o
contato visual entre homem e mulher era proibido. A mulher não podia ver os
órgãos genitais do marido, portanto, a cópula era realizada de costas.
Aconteceu também de muitas mulheres terem seus clitóris mutilados, pois se
pregava que o orgasmo era satânico. Da mesma forma que muitos homens tiveram
seu escroto mutilado, ou por ter realizado perversão sexual ou por prática de
pureza. Mesmo sendo um ato bom, o ser humano já o considerou um malefício.
Com
a revolução dos costumes, durante o século XX, o sexo vem ganhando um novo
valor. A combinação sexo e drogas é
um boom para emoção dos jovens das
décadas de 60. Aliado a este novo estilo de ver o sexo está a mídia, grande
propagadora das ideias de massa. Ela é a responsável pelo que eu chamo de sensualização do pensamento, um tipo de
ideologia imbricada em cada passo dado pelos veículos de comunicação. É através
dessa ideologia que as crianças estão começando mais cedo à vida sexual, no que
diz respeito às práticas subsequentes e anteriores ao próprio ato. Meninas e
meninos têm aproveitado de forma efêmera o espaço da infância. De fato,
reconheço que o ser humano, passa por um processo para que o seu libido esteja
concentrado para a procriação, mas atualmente nossas crianças têm chegado à
fase genital, segundo Freud, com menos idade. Nossos pré-adolescentes têm
procurado muito conhecimento acerca das práticas sexuais e os adjacentes dessa.
A infância deslumbrada pela inocência tem dado lugar à efervescência fálica
promovida pela mídia. Notem que o culto ao corpo, a pregação de liberdade sexual
a todo custo, têm sido amplamente divulgados em comerciais, novelas,
noticiários, programas de humor, etc. Nunca se vendeu tanto sexo, como nesses
tempos. Em territórios acadêmicos sempre se prega um niilismo absoluto, como se
tudo fosse mentira. Essa ideia é tão obsoleta e irracional que todo dia se
prega a verdade nas revistas de boa forma, nos programas de entrevista, etc.
Não tem como correr, não existe lugar para se esconder. Você vai cair de
qualquer maneira no abismo do sexo, porque ele está em tudo. Mas não é o sexo
da posição missionária, é o sexo capitalista, que obriga a você está na moda,
pois não vai arrumar namorado; que obriga a você sair do armário, para ser uma Queen cheia de glamour, sendo, na maioria das vezes, uma grande mentira. Na
verdade, o ser humano não anda neste ritmo que a mídia impõe. A prova disso são
as lotadas clínicas psiquiátricas, repletas de corações amargurados, feridos
por não se sentirem completos. Mas é assim mesmo, quanto mais incompleto, mais
se vende. É verdade, como já disse Paulo Freire, o ser humano é incompleto, no
entanto, essa incompletude deve o impulsionar à mudança. Já a incompletude,
efeito colateral da mídia, não possui fator regenerativo.
Já ouvi alguém
bastante lúcido afirmar que cada época possui uma identidade, e as gerações
posteriores à época passada tentará superar a identidade por ela pregada.
Depois de muita repressão, vêm os tempos de libertação, mas depois e volta a
ser contido. Acredito que estamos sofrendo uma renovação de valores, que diferente
de épocas passadas, terá um processo lento de consolidação. Temos que aceitar,
estamos doentes por sexo. O sexo exagero, sem amor, nos tem colocado para baixo
como espécie. A busca por emoção tem custado muito caro para nossos jovens, e
consequentemente quem paga é toda civilização. Essa doença tão voraz tem
imposto a iniciação sexual de uma maneira tão vil que os jovens atualmente têm
uma grande dificuldade na definição sexual. Com mais frequência vemos relações
de dupla orientação. Sei que o ser humano possui certa inclinação para a
clivagem de valores, mas isso está acontecendo rápido de mais, em frações de
segundos. Sou muito humanista, e muito flexivo, mas temos que ter uma posição
fixa em certas ocasiões. E sobre sexo a minha está bem definida aqui, o sexo
deve ser algo natural. A artificialidade dele está fazendo com que nós tornemos
plásticos, nem sempre biodegradáveis, nem sempre prontos para uma reciclagem.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Dom da repressão
Imagine uma criança sem malícia
nenhuma em seu peito. Limpíssima, alma de brilho intenso. Mas logo é colocada
dentro de um vaso. Este vaso possui tintas diversas, umas mais finas, outras
grossas, outras claras ou escuras... a criança de branca vira um emaranhado de
cores. Como sabemos, as cores possuem personalidade, o azul transmite
tranquilidade, enquanto o preto luto (para os orientais o luto é branco...), as
cores da alegria são amarelo, vermelho... e logo este novo ser vai se
delineando nessas cores. A criança nasce limpa, mas a cultura vai imprimindo na
sua personalidade o que se deve ser, ou não ser. Em minhas divagações
filosóficas fico refletindo sobre essas questões, e cheguei a mais uma nova
indagação: somos seres programados? será o que somos, quanto a nossas
características, seres inatos? Pensando e repensando, talvez não.
Quem é que nos deixa preconceituosos? Onde percebemos o caminho da
"verdade" e o da "não-verdade? A resposta é simples: a herança
cultural.
Só pela carga cultural que
carregamos nas costas desde nossa concepção materna é que
nos tornaremos os sujeitos que somos. O contato com a voz da mãe, o
primeiro contato visual com o mundo, as primeiras palavras... são elementos que
nos forjam dentro da cultura no qual estamos imersos.
Mas, o que tudo isso tem haver
com "educação"? tudo isso também é educação. Uma educação para a
vida, que forja a vida, que faz com que eu seja eu e você seja você, nos
assumindo como sujeitos. No entanto, não é isso que queremos tratar aqui.
Mas o que acontece mesmo em
termos de educação é a "repressão". Nossos sentidos desde cedo foram
condicionados a querer apenas um tipo de coisa, uma concepção unívoca, um
caminho a seguir... Por que rotular os caminhos como correto e errado? o que
mesmo determina que algo será ruim ou bom? se formos investigar, no fundo de
cada concepção de coisa certa está aquilo que valora a vida, ou seja, se não
proporciona a vida não pode ser considerado o correto, o aceitável. Isso tem um
fundo de razão. É preciso que a vida possa ser valorizada para que o ser humano
possa caminhar, existir e compartilhar experiências, forjando outros homens.
Mas nos esquecemos que nessa nossa caminhada, enquanto forjamos homens, estamos
pregando a pedagogia da repressão. Por mais que se diga "pregamos a
democracia", "todas as vozes possuem vez", nesses mundos
imaginários sempre haverão pequenas vozes não ouvidas, insignificantes.
Mas existe uma onda ainda pior, algo que não se perdoa. Não se pode nem
enunciar, mas todos nós estamos fadados a isso, e esta lástima reside no
nosso subconsciente. É algo que nem a maior eloquência na escrita poderá
lhe transmitir. E talvez nem seja preciso.
O ser humano possui um verdadeiro
dom para a repressão. Dom de calar a voz até do mais falante. De quebrar o passo
do mais andarilho, de apagar o fogo do mais ardente. Enfim, de ofuscar o brilho
de uma felicidade. Não é preciso dizer mais nada, pois eu e você temos esse
dom.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Declarações
Você conseguiu extrair a maior
porção de sensibilidade que um homem pode ter. Sem pressa, com poucas palavras,
soube demonstrar beleza e sentimento através das palavras soltas, dos
pensamentos vagos, nas ações nem sempre perceptíveis. O amor se escondia
em cada passo dado, em cada olhar sumido, em cada suspiro abafado. Aquilo que
latejava o coração, fazia com que a alma em esplêndido êxtase conhecesse uma
eroticidade velada que clama a chama da consumação. Mas, o tempo foi o inimigo,
a ingenuidade o veneno, para que essa chama diminuísse, mas ainda em brasa,
nunca se apagasse.
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